31/03/2008

Ressurge a democracia

Homenagem ao golpe civil-militar de 31 de março de 1964.


"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor."


Editorial do jornal O Globo, em 02 de março de 1964

28/03/2008

Epidemia de raiva

Chamo atenção para uma epidemia!
Gravíssima!
E que não dá indícios de que nos deixará em paz tão cedo!

É uma epidemia de raiva!
É uma epidemia que visa contagiar a sociedade contra os políticos, partidos, governos, intelectuais, profissionais liberais, estudantes, donas-de-casa, desempregados, ciclistas, patinadores, construtores de barragens, enfim, todos que se opõe à subordinação neoliberal (ou no caso brasileiro, que se opõe a um "novo" governo tucano-paulista-conservador entre 2010 e 3000dC)!

Adivinha quem é o vetor da doença?
E como se dá a transmissão?

O vetor já cuspiu muita peçonha por aí, contra muita gente. Já falou até em terceiro mandato de Lula, das ditaduras de Chávez e Morález, mas esqueceu de mencionar o apoio de FHC ao terceiro mandato de Fujimori no Peru (como se sabe, o ex-presidente daquele país, hoje, está preso e sendo julgado, acusado entre outras coisas, de genocídio e o nosso "social-democrata" ex-presidente foi o ÚNICO líder americano a apoiá-lo no terceiro mandato consecutivo).

Por certo, um grande exemplo de liberdade, pluralismo, democracia, progresso, diálogo e participação é a Colômbia do ultra-social-democrata-conservador Álvaro Uribe. Pois Uribe Jr. vai tentar o terceiro mandato (clique aqui)!
Mas isso não denota traços de ditadura? Isso não é coisa do Lula, do Chávez ou do Morález?
Confesso que não entendi...

Mas tem uma coisa que eu entendi perfeitamente:
Toda e qualquer pessoa que possa ser o candidato de Lula para 2010 sofrerá ataques. Já foi assim com Palocci, com José Dirceu e, a bola da vez, é a Ministra Dilma Roussef.
Funciona mais ou menos assim: já que o vetor não consegue picar os eleitores contra o Lula (vide os últimos índices de aprovação do governo), trata de picá-lo contra os prováveis candidatos do governo para a sua sucessão em 2010.

Pode-se argumentar que o governo de Lula é tão liberal quanto o de FHC, mas, para os sociais-democratas-conservadores-paulistas, não é paulista. E isso não pode, é inadmissível! Sobrará até para Aécio Neves se este se atrever a desfilar pelos caminhos de Brasília. Quem é o queridinho do nosso inseto para 2010? Quem?

Como explicar tamanha agressividade dos oposicionistas e dos ilustres puxa-sacos dos chefões da imprensa? É mais que uma identificação partidária. É raiva. Raiva pura!
Raiva contra aqueles que ousam tirar o pobre do seu esconderijo o expô-lo na porta de algum mercado, ou alguma loja no centro de uma grande cidade.
Resumidamente, raiva dos três "pês" mencionados por um dos advogados de Daniel Dantas: p..., p... e p...

Francamente, até quando essas pessoas pretendem atuar no circo de ilusões e cacarejar que o Brasil é o país do futuro se elas não querem que ele saia do passado?

"Deitado eternamente em berço esplêndido"

19/03/2008

Liberdade, qual liberdade?

É do conhecimento do público internauta que o provedor de internet Ig sacou o blog "Conversa-afiada" do jornalista Paulo Henrique Amorim do ar. Mais que isso, bloqueou o acesso do proprietário do espaço aos seus arquivos pessoais. E mais ainda, o fez sem aviso prévio.

Bem, o que interessa saber é que o jornalista é um ferrenho opositor a certos ícones do cenário brasileiro, entre eles: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Daniel Dantas e Marco Aurélio Mello. Basicamente, estes elementos foram merecedores de dedicada atenção do jornalista em suas postagens. O espaço do blog era utilizado para a prática de um jornalismo de opinião, algo amplamente difundido pela imprensa local, mas negado com veemência, como se ter opinião e dar sua opinião fosse crime. Crime é dar a opinião que o chefe quer travestida de fato. E é isso que impera no país, à exceção de pouquíssimas publicações impressas e de alguns blogs e sites. No restante, estão todos vendidos ao diabo, digo, capital. O mesmo capital que coordena a manipulação e a subserviência das pessoas para multiplicar-se.

Dentre as mais fortes denúncias do jornalista Paulo Henrique Amorim, destacava-se sem dúvida, a generosa maracutaia tramada nos bastidores do poder político e econômico para a fusão de Oi e Brasil Telecom, que se definida irá beneficiar amplamente a Daniel Dantas (além de embolsar uma bolada, irá se livrar de processo movido pelo City em Nova Iorque da ordem de US$ 350 milhões por gestão fraudulenta...). É curioso notar que DD é acionista da Brasil Telecom, proprietária do portal Ig. Se alguém acredita em coincidências...


Mas, cabe informar, que de tal manobra para salvar Dantas, o jornalista Luís Nassif está tratando magistralmente em seu blog, cujo objetivo é desnudar a revista Veja e seu arsenal de factóides criados com intenções bem menos honrosas que a de informar baseada na verdade factual.

Outro grande jornalista, Mino Carta, já anunciou a retirada de seu blog do mesmo portal, Ig, em solidariedade a Paulo Henrique Amorim. Luiz Carlos Azenha também anunciou a retirada do seu site, Viomundo.com.br do prêmio iBest.

Enfim, essa é a nossa liberdade! Azenha chamou a atenção em seu site para um detalhe: se tivesse ocorrido algo semelhante nos EUA, o assunto viraria notícia nos principais jornais. Enquanto isso, planeja a hospedagem do conteúdo do seu site num servidor norte-americano, por garantia...

A que ponto chegamos? Tal ocorrência tem todos os traços de uma ditadura! Aliás, a ditadura foi mais sutil, pois foi generosa com certas empresas de comunicação (como será que o império global conseguiu se fortalecer numa época de perseguição à informação?)

Não há como se sentir enojado com tal fato! Não há como não ter nojo de certas pessoas, empresas e métodos!

12/03/2008

"Chávez sí, Uribe no!"

Pois é isso mesmo! Este foi apenas um dos gritos entoados pelos 200.000 colombianos que foram às ruas dia 6 de março protestar contra o governo lacaio de Álvaro Uribe. Leia mais aqui.

Em que mundo vivemos? O que mais nos escondem? Por onde andam os "opinaristas*" da mídia local? Já imaginaram se a manifestação fosse promovida por aliados da dobradinha Bush Jr./Uribe Jr.!?

* "Opinarista" é um bicho estranho cuja especialidade é dar opinião corporativa (a mando do patrão ou mesmo pelo engajamento à causa) através de comentários ditos imparciais, fazendo caras, bocas e beicinho.

09/03/2008

O RETORNO!! (ou quase isso)

Estou quase de volta!!

Assim que a internet da Claro aqui em Sapiranga ficar mais rápida (ou menos lenta) e o trabalho me liberar um tempo para viver a minha vida, eu voltarei a postar decentemente aqui no meu querido e estimado blog.

Passei aqui só pra dar um alô e dizer que ainda estou vivo!

Até mais!

Ah, e vai uma música ae!! Só pra não perder o costume!


06/03/2008

O liquidificador ideológico

O liquidificador ideológico é um objeto estranho, que não tem forma definida, mas está no mercado*. Não oferece garantia contra quaisquer defeitos de fabricação ou operação. A sua função: bater alhos com bugalhos e transformar discernimento e consciência em meleca.

Seu funcionamento é muito simples: pegue dois fatos (exemplo: pesquisas com células-troco e aborto), coloque no equipamento, que opera em conluio com o cérebro do feliz proprietário da máquina, e aguarde algumas divagações. O resultado desse processamento é óbvio para o usuário do equipamento (e esdrúxulo para alguém que tenha um mínimo de discernimento): pesquisas com células-tronco interfere no início da vida, tal qual o aborto.

Bom, alhos não são bugalhos, mas para a CNBB, alguns juristas e conservadores, pesquisas com células-tronco e aborto andam de mãos dadas. O ideal, para estas pessoas, é que tais pesquisas sejam realizadas em outros países. Lógico, depois o Brasil, na sua condição de eterno dependente que se esbalda em seu berço esplêndido, compra a tecnologia já dominada pelos gringos. Como sempre foi e de acordo com a pretensão dessa gente.

Outro exemplo do funcionamento do liquidificador ideológico: coloque uma religião não-cristã, adicione guerrilheiros políticos e mais uma pitada de governos não-alinhados à submissão ao tio Sam e extraia................................. terrorismo e perigo à democracia!

Não é uma máquina fantástica!?
Perfeita para quem tem preguiça de ler, de pensar, de buscar novas fontes de informação! Ideal para o comodismo e a preguiça, estados letárgicos amplamente difundidos na sociedade com o automóvel e o controle-remoto. Imperioso notar que o tal "milque-xeique do Méc**" deve freqüentar processamento semelhante.

Mas, como disse inicialmente, o aparelho não oferece garantia alguma para seu usuário. O proprietário, contudo, agradece seu uso e o distribui de forma gratuita, afinal de contas, sabe perfeitamente que a imbecilização coletiva faz sua fortuna. Não nos espantemos com os resultados do uso dessa aberração: a miséria econômica, política e de espírito são seus maiores legados.

*Ah, o mercado! O deus dos deuses; aquele que tudo sabe; aquele que aos "competentes" glorifica e aos "incompententes" condena; aquele que é contra o Estado mas não tem a menor vergonha para latir à porta dos Bancos Centrais dos senhores feudais modernos e socorrer-se com o dinheiro oriundo da fonte tão contestada pelos grandes filhotes seus (as corporações): os impostos.

04/03/2008

E a história continua se repetindo

Não é de hoje que a política externa dos Estados Unidos prevê que este tem a obrigação de intervir em quaisquer país que seja para assegurar a sua própria segurança (e claro, o seu poder econômico, político e militar).

O que surpreende é que os mesmos métodos vêm sendo utilizados há décadas e, embora o mundo todo conheça os estragos que tal política tem provocado, ainda encontra seguidores e defensores destas estratégias animalescas nos países a serem vigiados. Foi assim nos regimes militares que assolaram a América Latina na metade do século passado, foi assim no Afeganistão, foi assim no Iraque, foi assim na antiga Iugoslávia e, novamente, na América Latina.

O caso recente envolvendo Colômbia e Equador já seria o bastante para demonstrar como se estruturam estas parcerias, cujo objetivo final é desestabilizar uma região para assumir seu controle. Mas, além de ter promovido a violação do território equatoriano, o governo colombiano de Álvaro Uribe, de costas para lá de quentes em Washington, atacou seu outro vizinho, a Venezuela, do sem papas na língua Hugo Chávez, acusando-o de financiar as Farc. Ora, as Farc são anteriores ao governo Chávez e, se algum governo colombiano tivesse intenção em solucionar o problema, já o teria feito. Além do mais, o argumento colombiano de que foram encontradas provas da ligação entre Chávez e Farc nos computadores apreendidos na selva equatoriana é discutível por dois motivos:
1 - porque a Colômbia não tornou públicos estes documentos?
2 - como os computadores foram preservados durante o ataque?

O ataque verbal ao governo venezuelano também deixa claro o quanto o governo colombiano está comprometido com o idealismo de Bush Jr. Sendo a Venezuela dona de uma das maiores reservas de petróleo do mundo (exatamente o dobro das reservas brasileiras), não é de se estranhar que o tio Sam não tire os olhos do nosso vizinho sul-americano. O que estranha é a facilidade com que encontra governos imbecis sempre a postos para fazer o trabalho sujo. É o caso de Álvaro Uribe na Colômbia hoje (e alguns outros no passado não tão distante e bem perto de nós).

Que tipo de apoio e promessas são feitas para estes governos? Será que só a ganância do ser humano explica o fato de um imbecil dar às costas para seus vizinhos e bajular o parceiro poderoso que troca de amante como quem troca de cueca (vide Irã e Iraque, cobras criadas pelos Estados Unidos). Será que os presidentes latino-americanos não alinhados com o idealismo de submissão à Washington (seja o partido que for na presidência daquele país) vão aceitar passivamente essa aberração de conflito político criado nos salões da Casa Branca e do Pentágono?

Até quando teremos que suportar a imprensa pilantra defendendo o lado de lá?

03/03/2008

Las brujas

Bem, creio que é do conhecimento público que a Polícia Federal "desvendou" o furto de qual a Petrobrás foi vítima. Crime comum, segundo a polícia. Coisa de amadores, não houve espionagem industrial.

Fiz de conta que acreditei...

A nova onda são as "provas", encontradas por soldados do exército colombiano, da doação de 300 milhões de dólares que Hugo Chávez teria feito às Farc. Bem, sabe-se que o exército colombiano fez a batida na selva durante a noite, e para tal, fez uso de equipamentos ultra-modernos (cedidos pelo governo dos Estados Unidos). Sabe-se também, que para chegar ao acampamento onde foi morto o guerrilheiro colombiano, o referido exército invadiu o território do Equador, violou a soberania equatoriana.

Pois bem, faço duas perguntas: as "provas" da doação de Hugo Chávez às Farc são tão consistentes quanto às provas da ligação de Saddam Hussein com Ozama Bin Laden? Ou são tão verídicas quanto às armas de destruição em massa que o Iraque possuía?

Se bem conhecemos o know-how do líder espiritual, econômico e militar do padrinho colombiano (e sua gleba de seguidores mundo a fora, inclusive aqui), seguramente tais provas podem ser tão precisas e verídicas quanto às citadas anteriormente.

Mas, independentemente da credibilidade de quem denuncia, vem aí mais uma campanha histérica-imbecilizante da mídia contra os líderes sul-americanos que não se "enquadram", os subversivos.