04/02/2008

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!

Estive lendo os comentários feitos ao texto que escrevi com um pequeno demonstrativo comparativo sobre o comportamento da imprensa estadunidense e brasileira e um deles me chamou a atenção. Segue o trecho da postagem do Walmor:

"Acho que a liberdade de expressão aqui no Brasil não é tão afetada, pois apesar de existir esse monopólio da informação que é tão notório nos dias de hoje ainda podemos ter a nossa voz, embora pequena, através de blogs e outros veículos...."

Gostaria de divagar um pouco sobre a tal "liberdade de expressão". O que seria isso? Qual seria sua finalidade? À quem atenderia?

Estas são algumas perguntas que dificilmente serão debatidas nos meios de comunicação de massa, especialmente aqueles que utilizam concessões públicas - rádio e televisão. Respondendo ao Walmor, creio que a liberdade de expressão no Brasil é como um cachorro de coleira solto na rua: parece livre, mas tem dono. Será que teríamos liberdade para discutir este assunto num grande veículo de comunicação como o fazemos "escondidos" na internet? Já imaginou uma carta publicada na Veja ou no jornal Zero Hora questionando a liberdade de expressão nos termos que nos são apresentados hoje? Impensável, para os donos da mídia!

Note bem que essa liberdade de expressão é a liberdade que tais empresas se permitem para falar o que quiserem e como quiserem, sem dar o devido direito de resposta e sem respeitar o contraditório. Falam em nome do povo, mas não ouvem o povo. Mostram a "realidade" através de novelas medíocres para quem vive a verdadeira realidade diariamente. Não são capazes, sequer, de assumir o seu ponto de vista, porque se o fizerem estarão mostrando quem são, o que foram e o que fizeram com este país e com as pessoas daqui. E o pior, o que pretendem para o futuro.

A verdadeira liberdade de imprensa, como foi concebida, deveria servir à pluralidade dos discursos. Deveria servir à direita e à esquerda; aos crentes e aos ateus; aos destros e aos canhotos; aos negros e aos brancos, sem esquecer a infinidade de particularidades existentes entre os extremos citados. E isso é especialmente preocupante quando falamos de concessões públicas. Ora, os donos (e sócios) destas empresas estão usando um espaço de todos (cujo dono é o povo, que lhe concede o direito de uso do espaço por período determinado através do governo eleito democraticamente, seu legítimo e único representante legal) para falar em nome de uma minoria que não tem o menor respeito e consideração pela maioria de nossos irmãos brasileiros. E fazem isso dissimuladamente, como se estivessem fazendo o que fazem pelo bem da grande maioria!

Este assunto não termina aqui.

Abraço a todos!

2 comentários:

Cantinho da Lane disse...

é... realmente é bem complicado e extenso esse assunto. acredito que o Brasil tenha uma falsa liberdade, sendo que infelizmente os mais ricos e os mais poderosos falam pela maioria que é com certeza os menos privilegiados.
o que poderíamos fazer pra melhorar essa situação? beijoca e adorei seu blog. coloquei seu atalho no meu viu? tenha um ótimo carnaval!

Adilson Jorge disse...

Quem é louco de afirmar que temos liberdade de expressão?

A cara feia vem desde a senhora fofoqueira que mora na sua rua desde o jornal que nunca vai publicar uma coisa que eles não gostem.

A, sim, o Luciano Huck tem liberdade de expressão... é só roubar o relógio dele que ele tem o espaço que quiser ...


Abraços e parabéns pelo blog, ótimos assuntos.
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